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"À volta ao mundo sem emissão de carbono".

Brasil deve ter metas de redução de CO2, defende Marina Silva

A velha discussão sobre metas quantitativas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) voltou à tona na última sexta-feira (8/11), quando a senadora Marina Silva defendeu que o Brasil pode liderar o movimento dos países em desenvolvimento no combate ao aquecimento global, dando um fim ao desmatamento da Amazônia.

O Brasil está bastante avançado tecnologicamente, segundo Marina, e já conseguiu reduzir 0,5 bilhões de toneladas de CO2 com as medidas de controle de desmatamento dos últimos anos. “Os países em desenvolvimento não podem reivindicar o direito de fazer o que os desenvolvidos já fizeram (se referindo aos padrões de emissões)”, afirmou.

A ex-ministra do meio ambiente lembrou os insignificantes avanços da última reunião do G8. “Os países desenvolvidos ficaram na controvérsia de quando vão começar o processo para reduzir 50% até 2050 e os em desenvolvimento se aproveitaram da situação para ficar nesta posição ‘gelatinosa’”, disse Marina Silva quando questionada pelo coordenador-geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do INPE, climatologista Carlos Nobre, sobre a posição brasileira de não estabelecer metas quantitativas de redução dos gases do efeito estufa (GEE).

Durante a palestra realizada no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE/UFRJ), Marina falou que dar continuidade aos planos Combate ao Desmatamento e Amazônia Sustentável, com o comprometimento total dos ministérios envolvidos, é a melhor estratégia para preservar a Floresta.

“A Amazônia exige de nós um olhar transdiciplinar. Não dá para fazer de forma pulverizada (combater o desmatamento), pois diz respeito a todos os segmentos da sociedade”, afirmou.

Políticas Estruturantes

Nos quatro anos e meio a frente do ministério do meio ambiente, Marina se dedicou a estruturar políticas de conservação ambiental, em especial do bioma amazônico. Poucos meses depois de deixar o cargo, diz que, com as diretrizes que criou, o governo saiu do “velho paradigma desenvolvimentista” e considera este o seu melhor legado para o ministério. “Se deixei alguma coisa foi isso”, comentou com modéstia.

Entre as ações que comandou, Marina comemora o bom fechamento da Operação Curupira, que levou 480 policiais federais e funcionários do alto escalão do Ibama do Mato Grosso à prisão; a criação da Portaria 10 do Incra que inibiu 35 mil propriedades de grilagem, com cerca de mil a dois mil hectares de floresta pública, e uma redução de 59% do desmatamento em três anos.

“A redução do preço das commodities deve ser considerada, mas não pode ser vista como única razão porque se não fossem essas ações o desmatamento não cairia desta maneira”, comentou a senadora sobre os argumentos de que as quedas nos números foram conseqüência dos baixos preços das commodities agrícolas naquele período.

Criada em meio à floresta, Marina defendeu ainda a união do conhecimento técnico-científico com o saber das populações locais, o que chama de saber narrativo, que possui ainda uma estreita ligação com a natureza.

“A junção dos saberes é primordial. Talvez não tenham (povos das florestas) o mesmo postulado de certo e errado, mas são pessoas que souberam dar resposta ao problema local de forma criativa”, ressaltou.

A senadora afirmou que a melhor forma de proteger a Amazônia é o Brasil assumir um compromisso ético de se desenvolver com sustentabilidade política, econômica e social. “Imagine a satisfação de transformar a vida de 24 milhões de habitantes, isso sem fazer o que fizemos com a Mata Atlântica, pois não sabíamos o que fazer no passado. Mas agora sabemos que temos que fazer algo pela Amazônia”, comentou.

Fonte: Paula Scheidt, do CarbonoBrasil
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