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Bicicletas lutam por espaço nas ruas da China

Rainha das ruas de Pequim durante anos, a bicicleta briga para manter seu espaço nas ruas já dominadas pelos carros, que vieram com o desenvolvimento tardio do país e crescimento do poder aquisitivo da população.

De 1995 a 2005, a frota de bicicletas na China caiu 35%, de 670 milhões para 435 milhões, enquanto que os carros privados mais que dobraram, de 4,2 milhões para 8,9 milhões.

Diariamente, entram em circulação na capital, Pequim, mil novos carros, em média. E as perspectivas não são boas. As autoridades locais acreditam que o número de automóveis continuará crescendo cerca de 10% ao ano ao longo das próximas décadas.

A proporção de carros por habitantes na cidade é praticamente a mesma de São Paulo. Com mais de 11 milhões de pessoas, Pequim tem uma frota de 3,29 milhões de carros, cerca de 3,3 habitantes por veículo. A capital paulista possui quase 19 milhões de habitantes e mais de 6 milhões de automóveis, uma relação de 3,1 moradores por carro.

A opção de transporte sobre duas rodas, no entanto, ainda se mantém popular no país das Olimpíadas, maior produtor de bicicletas do mundo. Apesar do declínio de 3,6% das vendas em 2007, a China ainda é o maior mercado mundial de bicicletas, com 28 milhões de unidades vendidas no ano passado.

Medidas emergências pré-Olimpíadas

As medidas recentes adotadas pelo governo de Pequim de reduzir o uso de carro nas ruas tem inclusive incentivado alguns motoristas a tirarem as bicicletas da garagem. Segundo a agência de notícias Xinhua, uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas de Opinião Pública e Fatos Sociais da cidade mostra que 24% dos motoristas adotaram a ‘magrela’ desde o início das restrições, no dia 20 de julho.

Em 2006, existiam 881 fabricantes de bicicletas na China, que produziram mais de 67 milhões de bicicletas normais e elétricas. Em termos de novos mercados, a China ainda tem boas prospecções. Dados do chnci.com mostram que, atualmente, a produção anual global de bicicletas é de 120 a 130 milhões de unidades, com uma demanda de 100 a 120 milhões.

Brasil e o uso de bicicletas nas cidades

O Brasil, apesar do potencial de utilização deste meio de transporte, está longe da realidade chinesa. Somente o total de bicicletas vendidas na China em 2007 representa um terço da frota brasileira, calculada em cerca de 75 milhões, segundo dados do Ministério das Cidades, de abril de 2007.

Em fins de 2004, o Brasil era o terceiro maior fabricante mundial de bicicletas, com cerca de 5,5 milhões de unidades, praticamente a metade da produção do segundo colocado, a Índia, com 10 milhões, conforme dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

O pouco valor dado à bicicleta como alternativa de transporte tem levado o Brasil a investir poucos recursos em infra-estrutura nesta área. Enquanto países como a Holanda tem mais de 16 mil quilômetros de infra-estrutura cicloviária, somente em estradas, e mais de 18 mil quilômetros em suas cidades, o Brasil tem apenas 2,5 mil quilômetros.

“Isto representa que um país com um quinto do território do Estado de Santa Catarina, consegue ter quatorze vezes mais infra-estrutura neste campo do que o Brasil, com 8,5 milhões de km²”, destaca o caderno 1 da coleção Bicicleta Brasil, do Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta, do Ministério das Cidades.

Segundo informações da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, desde 2003 foram investidos cerca de R$ 4,7 milhões em infra-estrutura em 25 cidades, através do Programa Bicicleta Brasil. Os municípios que mais utilizaram recursos foram Palmas (TO), Amparo (SP) e Aracaju (SP). As maiores redes cicloviárias brasileiras estão no Rio de Janeiro (RJ), com 140 km; Curitiba (PR), com 120 km, e em Colombo (PR), com 95 km.

O diretor do Centro de Transporte Sustentável (CTS) do Brasil, Luis Antonio Lindau, chama a atenção para o problema do transporte urbano como um todo. O sistema de infra-estrutura para ciclistas no país consegue ser cinco vezes maior que o de corredores de ônibus. “O que discutimos hoje mundialmente é a integração do uso da bicicleta com o transporte coletivo”, afirma, lembrando que Porto Alegre tem uma proposta de plano diretor cicloviário de 400 km.

Além da infra-estrutura, porém, fatores culturais, educacionais e de segurança não contribuem para o uso da bicicleta no país, na opinião da arquiteta Vera Lúcia Gonçalves, do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). “Muita gente não a usa por causa da velocidade dos automóveis, conflitos com ônibus, ausência de espaço seguro para estacionar e conflitos com o pedestre”, afirma. 

Fonte: Paula Scheidt, do CarbonoBrasil
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