Para alcançar a meta de vender um milhão de veículos híbridos por ano em 2010, a Toyota anunciou na última semana uma joint venture com a Matsushita Electric Industrial Co, detentora da marca Panasonic, para começar a produção em larga escala de baterias de íons de lítio no mesmo ano.
A Panasonic EV Energy Co, como ficou denominada a joint venture, irá construir duas novas fábricas para aumentar sua capacidade de produção a um milhão de baterias em 2010. Atualmente a Panasonic é a fornecedora de baterias de níquel-hidreto metálico (NiMH) usadas pela fabricante de automóveis para fabricar os veículos híbridos.
A Toyota é hoje líder mundial na fabricação de híbridos e, desde que lançou o primeiro Prius, em 1997, acumula um total de 1,5 milhões de híbridos vendidos. A empresa anunciou ainda que criaria um departamento de pesquisas com baterias até o final de junho para desenvolver baterias de última geração, que teriam uma performance melhor que as de íons de lítio.
A briga neste mercado é acirrada, principalmente entre as fabricantes japonesas. Bastou a Honda anunciar três novos modelos para que a Toyota divulgasse o lançamento de outros dois, o que marcou o início da saga das baterias de íons de lítio da empresa.
As rivais Nissan Motor e Mitsubishi Motor possuem parcerias com o grupo NEC Corp e com a GS Yuasa, respectivamente, para a produção em massa de baterias de íons de lítio no próximo ano. A Toyota informou que usaria as baterias em veículos híbridos ‘plug-in’ que devem ser lançados em 2010. “Nós planejamos usar tanto a de níquel quanto a de lítio, escolhendo a opção apropriada dependendo do veículo”, disse o presidente Katsuaki Watanabe
Segundo o chefe de pesquisas e desenvolvimento da Toyota, Masatami Takimoto, o novo veículo não será outra versão do Prius, e sim um carro totalmente novo.
No híbrido ‘Plug in’, a bateria do carro é substituída por uma de lítio com capacidade de armazenamento de 8kw/h, que quando recarregada à noite por um período de nove horas, por exemplo, aumenta a autonomia para 60 quilômetros. A inovação ajuda também o desenvolvimento dos carros elétricos.
O Prius, por exemplo, tem uma capacidade de armazenamento de 1kw/h, que permite andar apenas seis ou sete quilômetros no modo elétrico. Isto porque ele não foi pensando para andar no modo elétrico e sim de maneira híbrida, o que permite ao carro fazer 800 quilômetros com um tanque cheio.
“A Toyota só vai lançar no final de 2009, mas várias empresas nos EUA já fazem isso por conta própria”, afirma o diretor presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), Antonio Nunes Jr..
O especialista cita uma pesquisa realizada nos EUA, segundo a qual a distância alcançada pelo ‘Plug in’ atende a 50% dos trajetos das pessoas no país. “Este é o caminho. A escala virá com os híbridos e baterias menores”.
Bateria – o coração do carro elétrico
A bateria é ainda uma das incógnitas no desenvolvimento dos carros elétricos devido a questões como o potencial de armazenamento energético verso o peso, tempo de carga e vida útil. “Todas as grandes montadoras estão buscando isso, resolver o problema da bateria, que é o coração do carro elétrico”, afirma Nunes.
A bateria de íons de lítio será realmente a tendência na produção de carros elétricos e híbridos, na opinião de Nunes. “Hoje a autonomia do carro é de 100 a 120 quilômetros. Em dois ou três anos será possível chegar perto de uma autonomia de 400 quilômetros com carga rápida”, prevê o especialista.
Com relação ao poder de armazenamento, as baterias de lítio conseguem guardar o dobro das de chumbo ácido, usada nos carros convencionais, com a desvantagem de serem mais caras. Uma bateria de chumbo ácido custa entre 120 e 150 euros por quilowatt/hora (kw/h) enquanto que as de íons de lítio não saem por menos de 700 euros por kw/h. “Ela armazena cinco vezes mais energia, mas é muito mais cara”, afirma Nunes.
Apesar do preço, outro ponto positivo é a possibilidade de fazer carga rápida. “A bateria de chumbo ácido tem limitação e forçaríamos um processo químico muito rápido. Já a de íons de lítio aceita fazer a reação química em pouco tempo e em grande quantidade”, explica Nunes.
A vida útil deste tipo de material, que alcança o dobro ou o triplo das de chumbo ácido, também a torna hoje a melhor opção. “Como 30% do valor do veículo é a bateria, se houver a necessidade de trocá-la a cada três anos, por exemplo, será um problema. Hoje, tipicamente, a vida útil está em torno de três ou quatro anos, rodando dois mil quilômetros”, compara.
Para que o preço seja reduzido, Nunes diz que a questão da escala é fundamental. “Segundo uma pesquisa publicada recentemente, se a produção chegar a 100 mil carros elétricos, o preço cai em 40%”, comenta.
Vendas aquecidas nos EUA
Novas adaptações de baterias, como a tecnologia ‘Plug-in’ da Toyota, ajudam a desenvolver o mercado de veículos elétricos. O modelo Volt, da GM, inova ao inserir um pequeno gerador que carrega a bateria enquanto o veículo está em movimento. “O carro faz 50 a 80 quilômetros andando apenas com a bateria. Isto resolve o problema da autonomia”, explica Nunes.
Segundo ele, o Kangoo, da Renaut, também tem uma versão com um pequeno gerador para alimentar a bateria.
O caminho para resolver o problema das baterias é justamente o híbrido, na opinião de Nunes. Ele cita os Estados Unidos como um dos países com bom mercado para o veículo. Atualmente, a demanda é tanta no país que o tempo de espera por um Prius, chega a ser de seis meses. “Não os conseguimos rápido o suficiente“, disse ao jornal Boston Globe o proprietário da concessionária Herb Chambers Cós., Herb Chambers, do estado de Massachusetts. “Nós poderíamos vender seis ou oito vezes mais rápido se pudéssemos ter o produto das montadoras”, afirmou.
O aumento do preço dos combustíveis é o principal motivo para o aumento das vendas. “No início eram ‘tree huggers’ (algo como abraçadores de árvores). Mas agora, todo mundo está comprando híbridos”, diz o presidente e chefe-executivo da Boch Enterprises, Ernie Boch Jr.
A lista de espera nas revendedoras norte-americanas inclui também os híbridos Honda Civic e o Ford Escape.
Os países que mais investem hoje em pesquisas neste campo são o Japão, Estados Unidos, Canadá e França, que trabalha no desenvolvimento de redes de eletropostos.