Representantes de mais de 190 países iniciaram nesta segunda-feira, em Bonn, as discussões dos Grupos Subsidiários da Convenção da ONU sobre Mudança Climática (que vai até o próximo dia 13 de junho) com um imenso abismo pela frente: como sair do discurso para a prática. A 18 meses do prazo fixado para a conclusão da próxima fase do Protocolo de Kyoto - previsto para 2009, em Copenhague -, pouco se avançou nas negociações e é necessário recuperar o quanto antes o senso de urgência.
A reunião em Bonn é o segundo encontro temático desde o lançamento do Plano de Ação de Bali realizado na COP 13, realizada em dezembro de 2007, na Indonésia. O primeiro foi em Bangcoc.
"Um abismo separa a prática do discurso. Na Tailândia, ficou claro que existe uma distância enorme entre as medidas apontadas pelos cientistas para proteger o planeta das mudanças climáticas e o que os governos estão efetivamente fazendo”, afirma Luis Piva, coordenador da campanha de clima do Greenpeace Brasil, que participa da reunião em Bonn.
“A situação internacional não vai mudar se os países reunidos não tomarem a iniciativa de mobilizar a comunidade internacional para a solução do problema, e o Brasil, como o 4º maior emissor de CO2 do planeta, poderia ser peça-chave desse movimento. Essa é a oportunidade para o Brasil fazer a diferença nas negociações”, avalia Piva.
O Greenpeace acredita que é possível evitar os piores impactos das alterações climáticas tais como eventos climáticos extremos, das crises de oferta de água e do aumento da fome, colocando milhões de pessoas em risco se houver uma ruptura definitiva com os atuais modos de produção. A vida de milhões de pessoas depende de uma revolução na forma de usar e produzir energia e do compromisso de todas as nações do mundo de combater e zerar o desmatamento das florestas tropicais.
Para o diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado, há um senso de urgência que não está sendo considerado no Brasil e no mundo.
“Não temos tempo a perder e o Brasil ainda não tem um plano de ação de combate às mudanças climáticas”, afirma. Para ele, o governo brasileiro não está respondendo com ações efetivas contra o aquecimento global.
“Há uma total vulnerabilidade no Brasil e a população não sabe sequer como será afetada”, diz.