A Amazônia Ocidental terá a segunda maior torre de medição meteorológica do planeta. A primeira está na Sibéria. O projeto Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto) permitirá o monitoramento de longo prazo - cerca de 30 anos - que será realizado por instituições do Brasil e Alemanha.
Com esse equipamento será possível realizar medições de forma contínua numa área de observação com raio de centenas de quilômetros. A torre também possibilita a comparação das emissões continentais com as naturais (camada planetária marítima). O objetivo dos estudos é compreender se a floresta está absorvendo gás carbônico (CO²) e qual é a variação interanual. Estas informações são essenciais para o desenvolvimento de estratégias de redução das emissões causadas pelo desflorestamento.
Hoje, é possível medir as emissões de gases-traço na superfície de uma folha até o sensoriamento remoto. Contudo, para discutir estas diferenças numa escala temporal e espacial é preciso uma ligação entre os diferentes métodos e escalas de medições das trocas gasosas e de um monitoramento por torres, satélites, aviões e balões. Por isso, os dados obtidos pela torre, que terá 300 metros de altura, ajudarão na avaliação dos modelos.
O projeto está orçado em 1 milhão de euros. Para entrar em operação é necessária a concessão de licenças. A expectativa é que os trabalhos do projeto Atto tenham início até outubro próximo. Do lado brasileiro indicaram apoio ao projeto o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT); o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), a Universidade de São Paulo (USP); a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas (SECT), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) entre outras. Do lado alemão estão o Ministério Nacional de Educação e Ciência (BMBF); Instituto Max Planck de Química, Mainz; Instituto Max Planck de Biogeoquímica, Jena; Cooperação Técnica da Alemanha (GTZ).
Segundo o pesquisador responsável pelo projeto, J. Kesselmeier, do Instituto Max Planck de Química, em uma altitude de 300 metros as condições são mais estáveis, o que permite avaliações gasosas sem interferência de outros fatores em um raio bem maior de centenas de quilômetros, diferente das torres atuais que têm de 50 a 60 metros de altitude e medem as trocas gasosas apenas entre a biosfera e atmosfera. "A torre possibilitará medições em um estrato da atmosfera onde não há mais variação entre o dia e a noite, fotossíntese e radiações", destaca Kesselmeier.
A grande vantagem da torre, de acordo com o pesquisador, é que ela produzirá dados parecidos com os obtidos por balões meteorológicos. Contudo, os balões sobem até um determinado ponto e tem um tempo de vida curto. Além disso, os dados serão fornecidos continuamente com Atto. "A torre será o elemento entre as medições feitas em escala, na superfície terrestre, copas das árvores, biosfera e atmosfera e, por último, troposfera, em uma rede de estações de monitoramento nos diferentes continentes terrestres", explica.
De acordo com ele, a torre também fornecerá informações sobre as concentrações de gás carbônico CO² que tem um papel relevante no efeito estufa absorvendo radiação de onda longa proveniente da superfície terrestre e da própria atmosfera e aumentando a temperatura da terra; do metano (CH4), liberado, principalmente, por processos microbiológicos e anaeróbicos em áreas úmidas naturais e em plantações de arroz; e do óxido nitroso (N²O).
Instalação da torre -- Alguns critérios foram seguidos para escolha do local de instalação: aspectos científicos; acesso; energia; distância. Kesselmeier explica que o ideal era que a torre seja construída no meio da floresta, mas o local exato será discutido com mais profundidade pelos participantes. As informações serão captadas, automaticamente, e enviadas para o solo. Os dados serão compartilhados entre os pesquisadores do consórcio das instituições do Brasil e da Alemanha.