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Economistas ajudam a aperfeiçoar previsões climáticas

Cientistas climáticos trabalham em conjunto com especialistas em teoria econômica para aperfeiçoar os modelos de previsões e avaliar com mais precisão o impacto do aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Apesar de o aumento significante na temperatura média global já ser um grande consenso, ainda há muita incerteza sobre a extensão das mudanças e as suas implicações em diferentes regiões.

Uma precisão maior nos dados apresentados é urgentemente necessária para que se crie uma base sólida para decisões políticas e também para assegurar que autoridades e o público permaneçam convencidos de que mudanças consideráveis nos padrões de consumo e na produção energética são essenciais para se evitar conseqüências mais sérias nas próximas décadas e séculos.

A comunidade da modelagem climática está cada vez mais ciente de que algumas ferramentas de estatística que podem aperfeiçoar a modelagem climática devem ser desenvolvidas para a econometria – ramos da economia que cuida do estabelecimento de leis quantitativas para os fenômenos econômicos. A Fundação de Ciência Européia (ESF) juntou essas duas comunidades pela primeira vez num workshop recentemente, semeando as sementes de uma colaboração futura.

“Nós alcançamos nossa meta de unir pessoas de dois campos muito distantes mais igualmente valiosos”, afirma um dos organizadores do workshop, Peter Thejll.
“O evento foi projetado como uma sessão de mão-única na qual econometristas deveriam transmitir seus conhecimentos para pesquisadores do clima”.

Isto já se provou altamente valioso porque modelos econômicos e climáticos requerem análises estatísticas semelhantes, ambos, por exemplo, envolvem correlação serial em que o objetivo é definir o valor futuro de uma variável com base em um valor determinado previamente.

Na economia, a variável pode ser o preço de uma commodity, enquanto na climatologia pode ser a temperatura ou a pressão atmosférica. Nos dois casos, as variáveis se alteram arbitrariamente durante sucessivos intervalos de tempo quando submetidas a limitações que variam dentro de um espaço definido e, portanto, podem ser analisadas usando técnicas semelhantes.

“Para resolver problemas importantes relacionados com mudanças climáticas e mudança de atribuição com as estatísticas, esses métodos precisam ser utilizados e entendidos por pesquisadores climáticos”, afirma Thejll.

Ele acredita que uma nova cooperação com a comunidade econométrica irá aperfeiçoar a modelagem climática e as previsões, mas diz que antes é preciso assimilar algumas das novas idéias e ferramentas.

A proposta é introduzir maior sofisticação estatística nas análises climáticas, parcialmente pelo melhor entendimento sobre a correlação entre diferentes aspectos da mudança, como, por exemplo, de que maneira uma região impacta outra.

“Nós primeiro precisamos ver a disseminação dos métodos econométricos para então estarmos perto de interpretar artigos de pesquisa climática que ignoram problemas estatísticos sérios”, ironiza Thejll.

Entender as limitações dos modelos existentes será o suporte para um primeiro passo importante em direção a melhores modelos de previsões climáticas.

“Uma melhoria que pode vir do uso de métodos econométricos na pesquisa climática e um melhor entendimento do nível de ignorância em que estamos”, afirma Thejll.

Um problema atual é que as incertezas são geralmente menosprezadas e isso torna muito difícil prever com certeza até mesmo as conseqüências climáticas mais amplas ou o aumento nos níveis de CO2 na atmosfera.

A esperança de Thejll e que a incorporação de ferramentas-chave da modelagem econométrica torne a previsão climática muito mais precisa e valiosa.

Fonte: CarbonoBrasil, traduzido por Sabrina Domingos
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